quarta-feira, 27 de outubro de 2010
desintoxicação pt.II
Ainda em seu sono sem sonhos, vagava com olhos vazios sob o comando do sonambulismo. Encaminhou-se novamente ao banheiro, dessa vez, porém, não lhe foram necessários dedos e engasgos e tosses e torturas e desmanchos e sufocos, sua garganta atuou numa harmonia quase que indiferente com seus músculos da faringe. Após algumas contrações e dilatações, vomitou-te por completo. Talvez vomitar não seja o verbo correto se se considerar que não houve vestígios da ação - não houve sons, ânsias ou feridas na faringe, além de seu sabor que padeceria na língua após tal ato. Não, não vomitou-te. Cuspiu-te. Cuspiu-te num ato tão mesquinho e apático que não lembraria de tê-lo feito mesmo consciente. Vomitou-te, cuspiu-te no banheiro e retornou automaticamente para seu sono pesado e silencioso, sem sonhos. Era uma noite quente e silenciosa, sem brisa nem estrelas, típica do verão.
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